Homilias › 10/04/2019

Homilia Padre Silvio – 5º Domingo da Quaresma – ANO C 2019

5º Domingo da Quaresma – ANO C

1ª leitura: Isaías 43, 16-21

Salmo: 125 (126)

2ª leitura: Filipenses 3, 8-14

Evangelho: João 8, 1-11

HOMILIA

O tema das leituras de hoje nos direcionam a esquecer a vida passada para tomar posse das maravilhas que o Senhor fez e faz em nossas vidas!

Todos nós passamos por momentos de crises: somos passados para trás pelos espertos que cometem injustiças para levar vantagens. A nível pessoal enfrentamos às vezes situações desesperadoras com as nossas paixões, os maus hábitos, as nossas bruscas reações, o nosso temperamento aparentemente intratável que às vezes nos envolvem e nos dominam. Ocorre às vezes, entregamos os pontos, desanimamos e acabamos concluindo que não vale a pena lutar, acreditando que a situação não vai melhorar mesmo. Chegamos ate mesmo nos esquecendo dos pontos positivos em nosso viver. Aqui entra a 1ª leitura: é p que pensavam os israelitas. Achavam que Deus estava lá no céu sem se importar e fazer nada para ajuda-los (isolado, derrotados, humilhados como escravos na Babilônia). Esqueceram o que Deus lhes havia feito para libertá-los da escravidão do Egito. Lamentavam porque o trabalho na lavoura era duro, não podiam parar um instante sequer, extenuados no fim da tarde, queimados pelo Sol, lastimavam, lembrando os tempos passados. Sentiam-se no direito de censurar Deus. Por que Deus não repetia o que fez com seus pais, dizendo: “Nossos brados já não o comovem mais? ”

Na 1ª leitura o profeta Elias responde a essas angustiantes indagações: “Deixai de recordar o passado; deixa de remoer coisas antigas, como se EU (Deus) não pudesse repeti-las. Parem com essas lamentações! Deus está para realizar uma obra mais extraordinária do que a de antigamente!”

Deus não se esquece do homem. Ele não só agiu no passado, mas continua ainda hoje a manifestar o seu amor: tire os óculos escuros. O seu amor é apaixonado e escandaloso, como no evangelho de hoje.

Na 2ª leitura, o apostolo Paulo se dirige aos Filipenses alegando que rompeu com o passado quando era fanático judeu, apegado às leis, fundamentalista, e até perseguidor dos cristãos até o dia que teve um encontro com Jesus Cristo, pela fé, aceitou a novidade do Evangelho. Daquele dia em diante, tudo aquilo no qual ele confiara perdeu o valor e considerou como “ESTERCO”. É difícil romper com o passado, a vida passada, de uma hora para outra. Difícil renunciar o modo de pensar do passado segundo o qual considerávamos lógico, normal, de boa, vantajoso, etc… Mas Paulo usa aqui o terno: perdi tudo, deixei tudo… considero como “PERDA” diante da vantagem para ganhar CRISTO!

EVANGELHO: O episodio do Evangelho de hoje, religiosamente falando, para um leitor de consciência delicada, ou até mesmo distraído e mais simples, fica estarrecido, boquiaberto e assustado diante desse “DISFARCE” proferido por Jesus a uma mulher que comete consumadamente e surpreendida em adultério, quando diz: “NEM EU TE CONDENO”.

Oh! Isto já é demais!

Os maridos, os casais, os pais, os responsáveis pela comunidade devem ter pensado: a vida dessa mulher não é tão exemplar e Jesus não condena esse modo de agir: ENTÃO É O FIM! Quem conseguirá mantê-la na linha? É esta pagina está aí no evangelho, mesmo contrariando os puritanos.

O fato aqui está aqui: O que leva Jesus de modo SURPREENDENTE a perdoar uma pecadora? Que significado tem? Não há nenhum indício que a mulher estivesse arrependida. Não é como a outra mulher pecadora que arrependida chorou, beijou e enxugou com seus cabelos os pés de Jesus. A de hoje não faz nada disso: foi pega em adultério, agarrada, arrastada, ameaçada, talvez chicoteada e depois jogada aos pés de Jesus. Certamente devia estar ASSUSTADA, ENVERGONHADA E APREESIVA com o que lhe iria acontecer.

Mas só isso, nada de arrependida.

Vamos tentar entender:

A lei em Levítico 20,10 na Bíblia é clara: punição de adultério – apedrejamento!

Essa mulher não estava rezando o terço. É surpreende que não se fale do parceiro. Por que ele não agarrado também? A lei sempre para o mais fraco! A questão está aqui: queriam condenar Jesus porque era admirado por estar sempre em companhia dos pecadores, corruptos e fracos…

Se levarmos essa pecadora (para não falar outro nome) não terá a coragem de condena-la ou defende-la. Vamos desbaratinar sua popularidade.

Jesus já sabia das suas segundas intenções, a mulher estava sendo usada como BODE ESPIATÓRIO.

Eles atiram a mulher e perguntam: E agora sujeito? Vamos lá! A lei manda! Vai condenar ou não? O que tu dizes? Jesus como bom psicólogo não responde, começa a rabiscar o chão. O que escreveu? NADA!
Quer ganhar tempo? Não! Os aquieta para ouvir 1 bomba “ Quem dentre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”. E volta rabiscar o chão. Vixe! Tinham sido desmascarados, sua hipocrisia posta às claras… para esconder o próprio embaraço e vergonha, foram se afastando, a começar dos mais velhos: “não está aqui quem perguntou! ” Tu não tens esse pecado, mas OUTROS vai… Jesus ergue o olhar, ficou sozinho com a mulher; Ele é o único que poderia ali pronunciar a sentença, se recusa a fazê-lo. Ele não condena…

Em nossas comunidades agimos muitas vezes como esses mestres da lei e fariseus: como se Jesus não tivesse ensinado nada… Sentimo-nos impecáveis, donos da lei, os perfeitos, os fundamentalistas… Nos comportamos exatamente como eles. Temos um prazer MÓRBIDO no comentar e divulgar os erros e desacertos dos outros dos outros sem misericórdia alguma. Entre uma Ave Maria e outra a beata na Igreja sussurra para a vizinha: “Ta vendo aquela fulana no 3° banco? … Depois do terço ou da missa, lá fora, eu te conto…”

Esses outros MEXERICOS são pedras que ferem, matam, destroem o nome e a vida dos outros…

Quem nos deu licença para atirar pedras?

Jesus perdoa e convida a não pecar mais, mas nós cristãos queremos continuar julgando e condenando. Os mais velhos de comunidade que as vezes sentem o prazer SÁDICO em atirar pedras ou lama, por vezes, desiludidos, complexados, neuróticos, resmungões, procuram falhas nos outros, antes de voltar para dentro de si mesmos, sem duvida não sentiriam cócegas na língua para falar mal dos outros.
O centro do Evangelho de hoje está aqui: Não basta tolerar e perdoar; Jesus diz: “Esta vez não te condeno… Não te condenei… Mas vá e não peques mais” Não existe ninguém que mais deteste o pecado que Jesus: ama o pecador e não ao pecado.
O pecado é um mal muito grave que infelicita e destrói a vida de quem o pratica. Jesus não diz: fizeste bem em trair teu marido e sair com o marido de outras! Ele diz: Para com isso, não estraga a tua vida por um instante de prazer.
Jesus deseja a minha salvação e a salvação de quem quer que seja atire pedras contra aquele que com muito custo procura aguentar-se nas próprias pernas. Coloque – se no lugar da adultera! Lembre-se como Jesus a tratou e a convidou à conversão.

Pe. Sílvio Roberto

Pároco

Imprimir