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Homilias › 30/03/2016

Sexta-Feira Santa, Ano C

HOMILIA

Caros irmãos, dentro do tríduo Pascal chegamos ao dia que celebramos à  Paixão e Morte de Nosso Senhor.

Dia muito respeitoso pelo feriado é guardado religiosamente por muitos povos cristãos do mundo.

Todo significado da celebração deste acontece em vista da Ressurreição de Cristo que venceu para nós o pecado e a morte.

A 1ª leitura de hoje, é um poema que se refere a Jesus; um SERVO de Deus que enfrenta conscientemente a dor e a REJEIÇÃO até a morte e acaba sendo glorificado por isso.

O extremo amor de Deus pelo homem levou a entregar o seu unigênito filho à morte para resgatar e salvar a humanidade.

Escolheu a DOR E A MORTE; denominador comum de todos os homens para a redenção do homem. Jesus, desta forma, torna-se o centro de nossa salvação. Jesus sofre e perde a sua vida para revelar a verdade da sua mensagem, oferece a sua vida, sofre no lugar de outros. Ouvimos ontem durante a narração da Ceia Pascal, que os judeus deviam sacrificar um CORDEIRO MACHO / NOVO / SEM MANCHA E SEM DEFEITO. A hora estabelecida era 15hs na sexta-feira que antecedi a Pascoa.

Em Jerusalém se reuniam 50 mil habitantes mais 100 a 150 mil peregrinos para celebrar a Pascoa. O preço de um cordeiro assim a ser abatido custava 30 moedas e segundo pesquisas eram abatidos 18.000 cordeiros. Judas venceu Jesus por 30 moedas: o preço de um cordeiro pascal. Jesus foi abatido na cruz exatamente no mesmo horário em que os cordeiros eram abatidos. Isso significa que Jesus é o único verdadeiro CORDEIRO DE DEUS. Era necessário um Deus morrer por nós? Qual a intenção de Deus ao entregar seu filho único para nos SALVAR? Vocês já pagaram dívidas dos outros que não mereciam tal gesto?

Através da paixão e morte de Cristo, Deus Pai, abre-nos a possibilidade de vida eterna e vida com Ele. Oferece-nos assim resposta às interrogações mais sentidas do homem a respeito da vida. Ninguém pediu para nascer. A vida é um DOM POR EXELENCIA que provem de Deus: Ele é a FONTE. Criou-nos para o Amor e somos chamados à felicidade, a doar e transmitir vida.

Mas, pelo pecado, a morte entrou no mundo, sendo uma negação à vida. A morte torna-se o grande obstáculo LIMITE DO SER HUMANO: a ciência e técnica podem prolongar a vida, mas não detém a morte. Deus seria ridículo se nos criasse para morrer. Pela morte de Cristo, Deus corrige a nossa morte. A morte de Cristo por sua vez se torna um chamado à VIDA EM PLENITUDE COM DEUS.

Enquanto o ser humano rejeita a experiência do homem, sofre e tenta evita-la, paga para prolonga-la, paga caro; Jesus dando sua vida transformada a morte em vida eterna, enaltecendo aquilo que os homens rejeitam. É triste perceber como estamos despreparados e desprovidos diante da dor e do sofrimento.

Os valores propagados pelo consumismo convencem o homem que a vida só tem sentido se envolvidos de prazeres, pesado felicidade o gozo no ter, poder e prazer: compra-se / gasta / vende / negocia… Mas no momento em que o sofrimento pega o homem DESARMADO, é como um ladrão que ordena: MÃOS AO ALTO!

Nessa ocasião quando o sofrimento rouba nosso comodismo, nossa saúde, nossa fortuna, nossa posição social, nosso trabalho, quando nos passam perna, nos traem, nos excluem, bagunça a vida conjugal, somos ludibriados, enganados, quando se perde a pessoa que você mais ama… E aí? O sofrimento arma CILADAS SURPREENDENTES E DIFICEIS DE RESOLVER. Como é que fica?

Nessas horas é que acabamos por compreender que se não se cuida do espirito e da alma, não se está preparado para enfrentar a dor, o sofrimento, a sua intenção, onde vai chegar tudo isto. Surge então a pergunta: Por que não cuidei da minha alma; do meu espirito?

A verdade é que quanto menos preparado espiritualmente maior é o sofrimento; o sofrimento é sempre maior, quanto menos o compreendemos. O momento máximo da vida de Cristo é aquele que pelo sofrimento Ele assume nossa humanidade para salva-la na ressurreição.

Não haveria ressurreição se não houvesse paixão e morte de Cristo. O sofrimento pode ser útil ao homem. Deus não quer o sofrimento do homem, mas pode permiti-lo, pois sabe que através dele pode salvar e recuperar.

O sofrimento tem PURIFICAÇÃO muitas vidas / tem tornado muitas espíritos fortes, robustos, mais humildes, mais puros, santos, mais gente, mais amigos, menos orgulhosos ou prepotentes.

O homem materialista que põe todo motivo da vida aqui na terra, não consegue admitir o sofrimento. Odiando a dor e o sofrimento não consegue extrair nenhum bem do mal, não sobe alto, não transcende, não cresce, não capta a finalidade espiritual das coisas aqui na terra.

O homem materialista suporta a dor obrigado, reclama se ela se prolonga, diante dela coloca culpa nos outros e no mundo.

Apela para o consumismo: compra para esquecer a dor ou ingere ou injeta veneno em si mesmo acovardando-se diante dela.

O homem de Deus, espiritualizado, é diferente: encara a dor com coragem, tem confiança, entende a linguagem misteriosa do sofrimento, busca sempre uma luz no fundo do túnel.

Por outro lado não podemos tapar o sol com a peneira, arrumando justificativas banais a tantos erros e pecados nossos, que provocam sofrimentos dramáticos em nós, nos outros e para o mundo.

É preciso estar atento ao nosso egoísmo, caprichos, cabeça das invejas, orgulho, autossuficiência, prepotência, vaidades, manias, hipocrisia, injustiças, indiferenças, calunias, desunidades, melindres, inconstâncias, indiferenças, etc… Tudo isso e muito mais. Quanta gente frustrada porque tem a cabeça dura.

Quantos sofrimentos provocados na vida tem base nos nossos desajustes, nossa teimosia, nossa indiferença à palavra de Deus. Na base do sofrimento humano encontramos um povo sem vida religiosa autentica, ou religião alienante, ignorante e descomprometida com a mudança social. Um povo que abre um olho e fecha o outro, enfraquecendo a própria alma e transportando o inferno da outra vida para esta.

Por outro lado o sofrimento anda purificando muita gente fazendo-lhes repensar os valores da vida.

É triste falar, mas parece que se não houver no mundo um AMOR como o de Jesus será o sofrimento o responsável por criar na terra um clima de Paraiso.

Unidos à cruz, como disse o Apostolo Paulo: “completo em mim o que faltou à cruz de Cristo” nós que filhos do pecado mereceremos (sem mérito nosso) o perdão de Deus. Pelo sofrimento dizemos a todos instante que não quisemos ser de Deus e pelo sofrimento que queremos voltar a Deus.

Aquilo que nos mantem afastados é, portanto aquilo que nos aproxima. Na Cruz Jesus ensina que “larga é a porta da perdição e estreita a porta da salvação”.

“É difícil, mas é bom: Quem quiser me seguir, tome a sua cruz cada dia e siga-me”.

É hora do perdão, da justiça, da humildade, do serviço, da perseverança, freios, retribuir o bem ao mal, assumir com dignidade nossa missão de EVANGELIZADORES.

 

Silvio Roberto dos Santos
Pároco.

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