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Homilias › 30/03/2016

Quinta-Feira, Ano C

Lava Pés – Ceia Eucarística Sacerdócia

Hoje, 5° feira Santa começa o Tríduo Pascal, celebrando a instituição da eucaristia por Jesus na Ceia de despedida, na véspera da sua Paixão.

No Lava-pés, Jesus convida ao serviço, instituindo o sacerdócio ministerial ao serviço da Comunidade Cristã, e através da ceia a Igreja realiza a comunhão de todos os seus membros em Jesus Cristo; tendo a Eucaristia como centro da unidade. Lança o novo mandamento “Amai-vos como eu vos amei” como o ultimo testamento. Na ceia do Senhor, há dois gestos de expressão de Amor: lava-pés dos apóstolos por Jesus, e a mesa comum onde Ele se dá a si mesmo e ordena: “Fazei isto em memória de mim”: serviço, amor e entrega.

A Ceia Pascal para o povo judeu se tornou uma festa religiosa. Para os povos da antiguidade, a refeição tinha caráter sagrado: as pessoas presentes sentiam-se unidas a uma força maior SUPERIOR; achavam que comendo da vítima imolada e oferecida aos deuses recebiam forças divinas.

Para o POVO DA BÍBLIA a refeição, além de um sinal de HOSPITALIDADE e UNIÃO, era a rememorização da saída e libertação da escravidão do Egito. A Ceia Pascal era uma verdadeira ação de graças pelos benefícios de Deus devolvidos em forma de louvores, reconhecimentos e elogios a Ele. Chamavam essa Ceia de “Sacrifício de Comunhão”: só uma pequena parte do cordeiro-vítima era queimada. O resto era consumido pelos sacerdotes e repartido entre os fiéis, experimentando desta forma entre todos: a COMUNHÃO, a FRATERNIDADE e a ALIANÇA DE DEUS com seu povo. Os animais oferecidos ligados ao culto num altar ou mesa, servia para a expiação dos pecados e reconciliação com Deus.

O caráter religioso e sagrado das refeições levava os judeus excluir os pagãos e pecadores da comunhão com eles e da amizade com Deus.

Jesus sempre deu importância às refeições, mas deu a elas um sentido novo, devolvendo nelas as pessoas a Deus: Casa de Marta, Maria e Lázaro, Zaqueu, Pecadora arrependida na casa de um fariseu…

Nessas REFEIÇÕES, Ele fala de perdão, alegria, salvação, abundancia, retorno, de restituir o que foi roubado. DESERTO: multiplica pães e partilha. BODAS DE CANÁ: multiplica e partilha o vinho. Por isso escandaliza os judeus e dá sentido novo às refeições: o REINO DE DEUS é para todos; ninguém deve ser excluído: não vim para os sadios, mas para os enfermos.

Na última CEIA, embora não fizeram algo novo, Jesus dá um sentido todo especial. Assim como os judeus, Jesus toma a refeição junto: sinal de comunhão, partilha e vive esse clima familiar com os seus, mas… VAI ALÈM… Jesus toma, sim, o lugar de “honra-destaque” na mesa, MS mostra que aquele que ocupa o 1° lugar (lugar de HONRA) deve agir diferente: Ele TIRA O MANTO, despoja-se da dignidade, de patrão (SENHOR) torna-se o SERVO: dá a vida em forma de serviço.

Naquele tempo, durante as refeições, era costume a tarefa do ESCRAVO da casa lavar os pés descalços e empoeirados das visitas e filhos. Era proibido qualquer israelita (Membro do povo eleito) praticar esse serviço. Jesus sendo SENHOR assume a condição de ESCRAVO> despoja-se de títulos e do endeusamento perante os apóstolos.

Com esse gesto de humildade e submissão dignifica todos aqueles que prestam serviços humilhantes e embaraçosos.

PEDRO é o primeiro a dar nota fora: “ Senhor, lava-me não somente os pés, mas as mãos e a cabeça também”. Pedro não conseguiu atingir a lição, estava ainda preso ao ritual, mas Jesus ao responder, mostra que alguém mesmo lavando-se RITUALMENTE, pode continuar IMPURO – é o caso de Judas. Como Jesus, o amor dá-se a sim mesmo, é serviçal, humilde, amigo de partilha, contenta-se com o necessário e não mostra desejo de possuir ou armazenar.

JUDAS pelo contrario, demonstra falta de amor, é egoísta, vende o outro pra interesse próprio, é orgulhoso, esbanjador, improdutivo e quer tirar vantagens da situação.

JESUS: dá-se a si mesmo.

JUDAS: vende o outro / embora lavado os pés, continuou impuro, aderiu o diabo cheio de cobiça/ não partilha/ anti fraterno / ambicioso.

No Antigo Testamento o mandamento era: “Amar o próximo como a ti mesmo” enquanto o mandamento de Jesus é: “AMAI-VOS COMO EU VOS AMEI”.  Jesus coloca-se assim como exemplo, amar até o fim até dar a vida… Ensina que o amor é entregar a própria pessoa, é partilhar as próprias coisas e o próprio tempo com os mais necessitados.

Na CEIA DOS JUDEUS, o chefe de família iniciava o culto com a Ação de Graças a Deus pelo que fez pelo seu povo. Depois tomava o pão, partia-o em pequenos pedaços e dava a cada uma a sua parte. Do mesmo modo, o cálice de vinho era partilhado, num gole só. Todos comiam e bebiam num mesmo momento só: simbolizando a comunhão, unidade de salvação a todos que aceitarem a sua vida: quem comer e beber… Terá a vida eterna…

Para o povo da Bíblia ingerir alimento ou beber é assimilar de tal modo que o alimento ou bebida passa a ser um com ele: (Ezequiel 3,1-3) “Come o rolo da palavra de Deus e vai falar” – faça sua palavra de Deus.

Portanto, comer o corpo e beber o sangue de Jesus, significa unir-se a Ele, viver sua vida e sua doação ao Pai e aos irmãos.

Conclusão: O que a liturgia de hoje nos propõe?

  • Assim como eu lavei vossos pés, eu dei o exemplo para que não se acanhem e façam a mesma coisa que eu fiz. Não se envergonhem de servir humildemente o irmão.
  • Assim como vou morrer e dar minha vida para a salvação dos homens, vocês unidos a mim devem gastar as vossas vidas para a salvação de muitos.

“façam isso em memória de mim”

Eucaristia é comunhão com Deus e irmãos, através de Cristo que dá por primeiro sua vida e convoca a nós seus discípulos a repetir isso.

Eucaristia é vida doada, partilhada, é sacrifício de libertação e salvação. Por que então desprezamos? Desvalorizamos? Distraímo-mos diante dela? Somos indiferentes? Participamos sem motivação?

A Eucaristia atinge hoje o mundo através de nós do nosso serviço e do nosso dar a vida.

Cristo nos convida hoje a tirar os MANTOS e toquemos por AVENTAL do SERVIÇO e lavar os pés, dando dignidade e salvação aos outros. Quando servimos, incentivamos o irmão a se desinstalar e assumir uma atitude de agente de transformação do mundo, amando até o fim…

Amém.

Pe. Silvio Roberto Dos Santos
Pároco.

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