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Homilias › 27/04/2017

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ – ANO A

1ª Leitura: Numeros 21,4-9

2ªLeitura: Filipenses 2,6-11

Evangelho: João 3,13-17

 

 

         Amados irmãos em Cristo!

         O sofrimento é o denominador comum de todos os homem: todos passam pela experiência da dor e sofrimento, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Ninguém esta isento. Exatamente através dessa experiência de dor que Deus quis salvar a humanidade: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu filho (pela cruz) e Ele não veio para julgar o mundo, mas para salva-lo´´. Deus não necessitaria sofrer na cruz e nem MORRER: é infinito.

         A dor e o sofrimento sempre foi e sempre será ABOMINAVEL ao homem, todos a rejeitaram. A CRUZ era o instrumento mais cruel e mais horrível dos suplícios. Era a pena capital reservada aos BANDIDOS, aos SUBVERSIVOS, aos ESCRAVOS REVOLTOSOS, aos MARGINAIS da sociedade culpados de delitos desumanos. Declarar-se seguidores de uma pessoa que foi crucificada não podia ser considerado SENÃO uma loucura, uma vergonha ou escolha contraria ao bom senso, à lógica. Olha a visível contradição quando Paulo escrevendo à comunidade de Corinto exprime assim: “Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria, mas nós pegamos´´ CRISTO CRUCIFICADO E ABANDONADO, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos (1 Cor 1,22-23).

         Sim, a cruz tem vários sentidos: representa o pecado que carregamos mas também representa a vitória de Cristo sobre o pecado. Desde o início da sua história os cristãos escolheram seus símbolos para exprimir sua fé: âncoras, o peixe, o pescador, o pastor, mas não a cruz, tiveram por assim dizer, um certo pudor em usar a cruz. Só no século IV D.C., ela se torna símbolo por excelência de CONTEMPLAÇÃO.

         Na festa de hoje EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ não significa somente VENERAR inclinando-se, ou beijando, ou carregando no peito ou expondo nas paredes ou móveis. Isso é muito pouco. Na verdade a cruz é a INDICAÇÃO DE UMA ESCOLHA DE VIDA, o dom de si, livre e espontânea, como fez Cristo por nós. Contempla-la quer dizer torna-la como ponto de REFERENCIA da própria vida. A cruz não é AMULETO (esvaziaríamos seu significado se pararmos aí; seria SUPERSTIÇÃO).

         Mas o olhar da pessoa que crê e vê sintetizada na cruz a proposta de vida feita a ela por Jesus, que no final da sua vida nos aconselhou “AMAR COMO EU AMEI´´. Através deste olhar para a cruz ele nos comunica o seu convite a unir a nossa vida à sua, para que se orne um dom de amor ao irmão. Por isso Paulo aos Filipenses declara que o caminho de humilhação de si mesmo, essa descida até o ultimo posto que levou Cristo à glorificação. O verdadeiro Deus é aquele que revelou seu rosto em Jesus que morre na cruz para nos salvar. Contemplando o crucificado, nós encontramos diante de uma surpresa: Deus não é forte mas frágil por amor, não é vencedor mas derrotado por amor, não é rico mas despojado por amor, não é servido mas se fez escravo.

         Jesus na cruz revela o amor, a imagem perfeita de Deus: ele é pobre, não reteve nada para si, doou tudo para o homem, fez-se fraco, vencido, servo e humilhado por amor.

         No evangelho de hoje esta em cena Nicodemos personagem membro do grande sinédrio, eminente fariseu, indignado com a fama de Jesus resolve conhece-lo pessoalmente.

         Por precaução vai ao escuro da noite, no silêncio e a quietude, de coração puro e sincero se refere a Jesus como “RABI (mestre) de Nazaré; homem vindo de Deus´´. Tem a humildade de perguntar a Jesus o que deve fazer para possuir a vida eterna. Certamente entendeu pouco quando Jesus lhe disse sobre a necessidade de “NASCER DE NOVO/ NASCER DO ALTO´´. Desolado, surpreso, um tanto desiludido vai embora em silêncio, pois o mistério insondável será o olhar para a cruz e à luz da Páscoa, certamente conseguirá compreender a pista que Jesus lhe indicara.

         Esse mistério que nós hoje estamos em condição de entender, porque o ENIGMA foi resolvido pelos acontecimentos da PÁSCOA. Olhos fixos no crucificado e na CRUZ e toma-lo como referência de todas as escolhas.

         Quem de nós já não sofreu qualquer injustiça (e também causa-la), ser envolvido em trapaça, ser vítima de um ataque desleal, sendo impossível qualquer defesa…? Fixar o olhar a Jesus que entrega a sua vida: andou fazendo o bem, curando a todos, desprezado e considerado ESCÓRIA da humanidade, um homem das dores, experimentado nos sofrimentos, um cordeiro que se conduz ao matadouro, ovelha muda nas mãos do tosquiador, enfrentou o ódio dos sumos sacerdotes (funcionários blasfêmia pelos seus condenadores, ultrajado pelos malvados, sofreu a traição dos amigos e a solidão e grito desesperado: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?´´ O justo, no seu supremo gesto de amor ainda tem tempo na cruz para exclamar: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem´´. Em outras palavras: são pobres de espírito…

         Jesus não está brincando quando em Lucas 6, 27-42 amai vossos inimigos… orai pelos que vos perseguem… bendizei os que amaldiçoam… praticai o bem a quem vos fez o mal… Jesus hoje é referência… para que não desperdicemos tempo com os valores transitórios dessa vida. Da cruz, da Páscoa é o crucificado que, derrubando os valores dos homens, nos faz julgar as derrotas como uma vitória, o serviço um poder, a pobreza uma riqueza, a perda um ganho, a humilhação um triunfo, a morte um nascimento. Completo na minha carne o que faltou a paixão.

         Essa é a nossa Referência do amor de Deus!

         Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo,…

                                                                           Pe. Sílvio Roberto

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