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Homilias › 13/06/2016

10ª DOMINGO COMUM- ANO C

10ª DOMINGO COMUM- ANO C

ANO C 05/06/2016

HOMILIA

Queridos irmãos em Cristo!

A primeira leitura e o Evangelho narram dois fatos muito semelhantes.
Falam de duas viúvas que perderam os próprios filhos únicos, mas foram agraciadas e consoladas por Deus, que realizou a sua obra de salvação através de seus enviados.

Essas duas mulheres representam toda a humanidade que se encontra sem defesa diante da força e do triunfo da morte. Sabemos que a ciência, a técnica e a medicina podem prolongada a vida, mas não conseguem deter a morte. O homem se sente IMPOTENTE diante dela.

A quem poderiam os homens, nessa hora, recorrer para pedir socorro?

Quem tem condições de ampará-los na hora da perda da aflição e do sofrimento, que é o denominador comum de todos os homens? As duas leituras pretendem nos mostrar que Deus é o Senhor da vida e não abandona o homem nas garras da morte, que em de Jesus ressuscita todo aquele que nele crê.

Na 1º leitura, o profeta Elias sai da sua terra e vai morar em SAREPTA.

Uma pobre viúva o hospeda em sua casa e depois de alguns dias, seu filho adoece gravemente e morre. A mulher que é pagã, logo procura a causa da sua INFELICIDADE e a culpa atribui aos seus pecados da juventude. Fala ao Profeta Elias que se sente responsável pela morte do filho, por isso está angustiada. Elias não responde. Toma o menino dos seus braços, leva-o para o andar superior, IMPLORA A DEUS e lhe comunica novamente o calor da vida. Em seguida e restitui o filho à boa e generosa mãe.

Diante do menino morto resaltam duas diferenças de ATITUDES: A mulher perdeu as esperanças, sente-se DERROTADA, CULPADA, ESCARNECIDA, procura um motivo, uma culpa em si, para poder superar a angústia, mas isso só aumenta o seu DESESPERO.

O Profeta, ao invés, ACREDITA no DEUS que dá a vida e que não abandona o homem ao poder da morte.

Infelizmente os cristãos também hoje quando se deparam com um tipo de morte inexplicável ou prematura, atribuem e declaram: “É CASTIGO DE DEUS”.

Acham que Deus manda DOENÇAS, DESGRAÇAS, CALAMIDADES para PUNIR PECADOS. Muitos recorrem ao Espiritismo ou aos bruxos para descobrir quem é o responsável.

Será que Deus que é Amor quer provocar sofrimentos e descarregar sua ira em crianças inocentes ou filhos sem culpa por causa dos pecados dos adultos? Deus é bom e só quer vida e felicidade dos homens.

Já o EVANGELHO narra o ENTÊRRO do filho da viúva, da aldeia de NAIN perto de Nazaré. Ela está DUPLAMENTE AFLITA pois perdeu o marido e o filho.

Jesus, seus discípulos e uma grande multidão chegam às portas da cidade justamente na hora em que muita gente acompanha no ENTERRO o féretro para o lugar da sepultura.

Imaginemos dois CORTEJOS: Um chegando e outro saindo.

O primeiro: precedido por Jesus (o Ressuscitado), o vencedor da morte, formado por pessoas radiantes de alegria, felizes, eufóricas, passos rápidos, radiantes porque estão com o seu Senhor que conduz à Vida…

O segundo cortejo: ao contrário, estão todos tristes, pesarosos, desesperados, derrotados, passos lentos, de cabeça baixa, sem esperança alguma, sentimento de perda, SÍMBOLO DA HUMANIDADE QUE AINDA NÃO ENCONTROU CRISTO. Consideram a morte uma derrota.

Assim é o caminho da comunidade cristã, se cruzam um dia com o caminho dos homens sem a esperança e o grupo de Jesus que não se deixa envolver pelo pranto, pelo luto perene, pelo desespero. Isto porque Jesus se compadece da viúva que representa a humanidade ABATIDA E DESESPERADA. Ele interrompe a caminhada para a morte e lhe aconselha: “NÃO CHORES MAIS.” Toca com suas mãos o jovem morto e diz: Levanta-te”

Sua palavra provoca MUDANÇA RADICAL NA SITUAÇÃO: O pranto se transforma em CÂNTICOS, JUBILO, o luto de morte em VIDA.

Os dois grupos se unem num único brado de entusiasmo: “ DEUS VISITOU SEU POVO.” Deus é digno de louvor!

É preciso entender que Deus não é o inventor da morte: Livro Sabedoria 2, 23-24. “Deus criou o homem para a imortalidade e o fez imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo.”

Sab 3,1 – “Mas as almas dos Justos estão na mão de Deus, nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos…”

Não podemos nos revoltar e nem pedir a Deus que o faça voltar à vida e que o devolva. É cristã essa oração ou esse desejo? Não prestaríamos nenhum favor às pessoas falecidas se as trouxéssemos mais vezes de volta a vida. Só obrigaríamos a REPETIR MAIS VEZES A EXPERIÊNCIA DA MORTE. Um dia teria que deixar definitivamente esta vida.

Jesus não quer adiar a morte ou repeti-la várias vezes. Paulo diz que “está determinado que o homem morra um só vez.” Em Eclesiastes 12, 7 “pela morte o homem volta a terra de onde veio e o espírito Deus toma-o de volta porque o deu.”

Jesus viveu nossa experiência humana até o fim, experimentou a fria solidão do sepulcro. Não eliminou a morte BIOLÓGICA, mas pronunciou “LEVANTA-TE” e disse também “QUEM CRÊ EM MIM AINDA QUE TENHA (PASSE PELA MORTE ) QUE MORRER TERÁ A VIDA ETERNA”.

A morte não é o encerramento da vida. Através da sua ressurreição Jesus transformou a morte num nascimento. “Nascemos para morrer e morremos para GANHAR a VIDA ETERNA”.

Compete aos cristãos hoje repetir o que Jesus disse à viúva de Naim. “NÃO CHORES!”

Isso não significa não manifestar sua dor (Eclesiástico 38, 16). CHORE! Alguém entre vós morreu. Mas creiam que deixando este mundo serão introduzidos num mundo novo, pois Ele quem nos COMUNICA A SUA PRÓPRIA VIDA DE RESSUSCITADO.

Jesus não manifesta ser o Deus da vida porque impede os homens de deixarem este mundo, mas porque permitindo com que passem pela morte, mas preparou-nos um lugar para contemplarmos a glória de Deus sobre a morte.

“Não se preocupem e nem tenham medo: vocês creem em Deus: Creiam em mim também. Na casa de meu Pai há varias moradas e Eu vou preparar um LUGAR para vocês para onde Eu estiver, estejam vocês também para contemplar a GLÓRIA (a vitória) do meu Pai.”

Deus é digno de louvor…

Louvado seja…

Pe. Silvio Roberto
Pároco

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