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Homilias › 03/05/2017

3ºDomingo da Páscoa- ANO A

 

Queridos irmãos na fé!

            A narração dos discípulos de Emaús, talvez seja a página mais linda: transporta-nos para um mundo de sonho e impressão deliciosa. Imaginem 2 discípulos que foram à Jerusalém celebrar a Páscoa com Jesus, de repente a situação se torna DRAMATICA: Jesus é acusado de subversão, é condenado, padece as piores atrocidades, é morto e sepultado. Que susto! Quanto medo! Que decepção ser testemunhas de tudo isso. Os sonhos caíram por água abaixo.

            Se preparam para voltar para Emaús, melhor assim, pois suas as famílias os aguardam, deve ser tempo da colheita; a lavoura a ser colhida. Mas antes de partirem em viagem 2 mulheres correm para eles com uma notícia perturbadora: o sepulcro foi encontrado vazio; dizem terem visto anjos afirmando que Jesus estava VIVO. Mesmo tendo ouvido algo de extraordinário que tinha acontecido, partem para Emaús sem antes verifica o que poderia ter acontecido realmente.

            O fato é que caminham com o semblante triste, cabisbaixo, entediados, insatisfeitos e desanimados. Eis que se aproxima deles um VIAJANTE: é o próprio Jesus Ressuscitado.

            Como foi possível não terem reconhecido Jesus na figura do viajante? Na verdade o texto não afirma que Jesus se dissimulou sob as aparências falsas, mas que “OS SEUS OLHOS ERAM INCAPAZES DE RECONHECE-LO´´. Qual motivo desta cegueira? Jesus dá uma de desentendido, prefere pergunta-lhes o porque de tamanha tristeza.

            Eles expõem o seu drama: esperavam que Jesus fosse o MESSIAS ( o prometido por Deus e esperado pelo povo) mas foi morto. O modo como falam de Jesus é semelhante ao de muitas pessoas naquele tempo e hoje também: sabem muito bem o que Jesus fez e ensinou, consideram-no um homem sábio, que com sua belíssima mensagem de PAZ/ AMOR/ PERDÃO e SALVAÇÃO mudou os corações de muitos homens, mas afinal morreu como todos os outros. Ai mora o erro aos homens cristãos: o conhecimento incompleto leva à tristeza. Sem a fé na RESSURREIÇÃO o resultado é que as derrotas permanecem derrotas/ a vida termina com a MORTE e esta é somente uma TRAGÉDIA.

            Outro erro que os discípulos cometeram diante da situação desesperadora: ABANDONARAM A COMUNIDADE; preferiam viajar sozinhos/ os outros que ficaram/ é que se danem/ não verificam se a experiência que as mulheres tiveram poderia ou não ser esclarecedora. Assim como eles, hoje também muitos se comportam: diante das dificuldades e das, perseguições, muito abandonam a própria comunidade ou a Igreja, preferindo caminhar sozinhos. Diante da dor, das provações, dos sofrimentos não suspeitam que suas ideias sobre o Ressuscitado pudessem ser erradas. Estavam apegados à tradição ao que lhes fora ensinado, estavam fechados às surpresas e às novidades de Deus.

            Percebemos isso na Igreja de hoje: quantos insistem a persistir nos detalhes tradicionais desnecessários, símbolos ultrapassados, ritos vazios na igreja e não enxergam o essencial. Nosso Papa Francisco esmera em despojar coisas sem sentido dando-nos exemplo de humildade, de simplicidade, de busca ao essencial e temos ainda irmãos na Igreja apegados e cegos ao que realmente importa.

            Jesus, porém, não abandona jamais os homens que se encaminham pelas estradas que conduzem à tristeza. Ele se faz sempre seu companheiro de viagem.

            Ele sabe que reconhecer o Ressuscitado não acontece com facilidade. Ele alí está, mas a vida do Ressuscitado não é continuação da vida material e os homens raciocinam como homens que não interpretam o que aconteceu com o olhar de Deus. Por isso Jesus os repreende: “Óh insensatos e duros de coração para acreditar… já estava dito nas escrituras… o Messias deveria passar através da doação da vida para entrar na sua glória?´´ “Sim… a cruz é incompreensível para os homens. Deus é tão poderoso que o maior crime cometido pelos homens Ele transforma em sua obra prima de salvação.´´

            Eles já sabiam de tudo isso mas precisavam ser reevangelizados: muitos de nós sabemos de tudo, mas nada entra no coração… Jesus repreende a nossa cegueira, a nossa dureza de coração e nos chama de insensatos… não é suficiente ler a Palavra de Deus, mas é necessário que Jesus esteja em meio a nós: “ Onde dois ou mais se reúnem em meu NOME, eu mesmo estarei em meio a eles´´. E o próprio Jesus que nos faz entender e o faça a ponto de “ABRASAR O CORAÇÃO´´.

            É domingo (primeiro dia da semana) Jesus está com eles.

            “Quando se sentarem na mesa, Ele toma o pão, abençoa-o, parte-o e o distribui entre eles´´. Os olhos do cristão se abrem e reconhecem o Ressuscitado durante a celebração litúrgica dominical. NOTEM: antes de tudo há a entrada do celebrante, a Leitura da Palavra com a homilia e a benção e o partir do pão. O pão eucarístico não pode ser partido se antes não se realizou a liturgia da Palavra.

            Somente na hora da comunhão Eucarística os olhos se abrem e os discípulos se dão conta de que o Ressuscitado está no meio de nós, mas sem a leitura e explicação da Palavra não teriam conseguido descobrir a Cristo no pão Eucarístico. Jesus desaparece do meio deles… invisível aos olhos, mas o coração está abrasado, aquecido pela presença, do amor de Jesus.

            Tendo feito a experiência de Jesus no meio deles; agora não estão mais tristes e nem cabisbaixo, sim incendiados estão pelo Espírito Santo, eles partem, correndo para anunciar aos outros a sua descoberta e juntos com eles proclamam a fé: “ de fato, em verdade, o Senhor Ressuscitou… nós o vimos, nós experimentamos…´´ Assim deve acontecer conosco, poderíamos sair das nossas celebrações proclamando a todos, durante a semana inteira: comunico-lhes a alegria de ter ouvido o Senhor/ ter experimentado/ estado em comunhão com  o Senhor…´´ Ele nos aquece, tira nossa cegueira, nos faz caminhar, não mais cabisbaixos e nem entristecidos… Ele enche-nos de ânimo, de forças, de Luz, sabedoria e alegria…

FICA CONOSCO SENHOR!

            POR ISSO E POR TUDO LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

Pe. Sílvio Roberto

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