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Homilias › 17/03/2017

2º Domingo da Quaresma – Ano A

18 e 19 de março de 2017

1ª Leitura: Ex 17,3-7

2ª Leitura: Rom 5,1-2;5-8

Evangelho: Jo 4,5-42

            Filhos e Filhas de Deus, amados por mim…

            Todos nós desejamos libertação para nossas vidas. Deus nos dá, mas existe uma caminhada a percorrer, e não é fácil essa viagem até atingir a verdadeira libertação; mas Deus está conosco ajudando-nos a vencer os obstáculos. Podemos perceber isso na 1ª Leitura de hoje: após a saída da escravidão do Egito e a passagem do Mar Vermelho, o povo de Israel, guiado por Moisés, começa a viagem para atravessar o DESERTO DO SINAI e chegar à terra prometida. O início desta viagem foi glorioso: grandes prodígios/ estão certos que Deus está com eles/ houve cânticos festivos/ louvores e gritos de alegria. Mas a caminhada não é fácil, começaram as dificuldades, calor sufocante do deserto, o cansaço, as serpentes, a fome, a sede, pedras e areia, falta de árvores e sombra. Quando percebem que não há água, têm medo de morrer e por isso DUVIDAM DA FIDELIDADE DE DEUS e das suas PROMESSAS. Começaram as MURMURAÇÕES, as DISCUSSÕES com Deus e tenta-lo e submetê-lo à prova: “ Deus está conosco, sim ou não?´´ Isso se repete na vida de todo cristão. Ao abandonar a vida antiga, acha que não terá mais dificuldades, que o Espírito Santo o conduzirá sempre e somente para o bem, que será eternamente feliz (deitado em berço esplêndido), que Deus o protegerá de todas as desgraças, que não terá mais doenças, nem problemas na família, nem acidentes no trabalho ou nas estradas. Começam depois os desencantos, corre o risco de DUVIDAR que Deus realmente o acompanhe. Quer milagres e se esquece de que Deus é fiel às suas promessas. Deus conhece a fragilidade e as dificuldades dos seus filhos e não reage com CATIGOS, pois sabe das situações que existem em nossas vidas, nas quais é muito difícil para o homem continuar acreditando. É nessa hora que entra o amor de Deus sobre nós. O Evangelho deste domingo conta o encontro de Jesus e uma mulher da Samaria no poço de JACÓ. É bom notar que naquele tempo o POÇO era o lugar onde as pessoas se encontravam: pastores para matar a sede/ os comerciantes mascates com suas mercadorias aguardando seus clientes/ as donas de casa (as mulheres) para fazer fofocas/ até os namorados procurando uma companhia/ e os viajantes para continuar a viagem, que é o caso de Jesus. Ele cansado da viagem, senta-se junto ao poço, à espera dos discípulos que foram comprar alimentos no povoado vizinho. É meio dia, chega uma mulher e Jesus pede água. Ela logo percebe pelo sotaque que aquele homem que lhe dirige a palavra é um ODIADO GALILEU. Havia repúdio entre um Galileu e samaritanos e vice-versa, portanto, como se atreve a pedir água a uma samaritana e, sobretudo porque a lei rígida proíbe falar a sós com mulheres desconhecidas?

            Outro detalhe, MEIO DIA: horário do sol escaldante. Só iam ao poço ladrões, prostitutas, adúlteras, doentes, porque o restante jamais buscava água no poço nesse horário. Imaginem então o espanto dos discípulos ao voltarem e encontrarem Jesus conversando tranquilamente com uma mulher e samaritana. Jesus fura as regras, não se deixa influenciar por regras que DISCIMINAM e não tem sentido.

            Quem é essa mulher? Ela pode simbolizar o povo fiel e traidor/ que traiu seu primeiro marido – ela representa o povo de Israel, o povo de Deus, a noiva de Deus – por isso provoca o CIÚME do seu primeiro marido, representado aqui por Jesus. Jesus encontra essa esposa infiel no poço e quer reconduzi-la ao seu primeiro amor: JAVÉ, ou seja, a Deus!

            O povo de Deus uniu-se aos outros deuses, outros amantes: egípcios, babilônicos, assírios, etc e  adorou seus deuses.

            Os discípulos foram buscar alimento material e a mulher água material, que não está em condições de satisfazê-la, nem os prazeres dos homens são capazes de satisfazê-la, não lhes dão a verdadeira paz e felicidade. Deixam o vazio no final de tudo. Água material aqui é símbolo dos prazeres e satisfações que não dão a verdadeira alegria, paz e felicidade. Também conosco, pecadores, acontece o mesmo; procuramos uma água que não sacia a sede. Procuramos felicidade nos prazeres, nas bebedeiras, nos adultérios, na vida corrupta, nas aventuras, na ambição, ganância, nos atrativos da mídia, nas ilusões falsas e enganadoras…

            Acabamos sempre vazios, infelizes e sempre sedentos de uma vida autêntica. Por vezes até brigamos, discutimos e convencidos de que somos os certos e os outros errados, que no mundo de hoje as coisas mudaram, todo mundo faz e age assim… mas no fundo os pobres de espírito somos nós. Custa admitir nossos erros e fraquezas.

            A samaritana discute com Jesus: quem é você e que água é essa/ Jesus então a questiona dizendo: “Ah, mulher! Se tu conhecesses o dom de Deus…´´ Em outras palavras Ele quis dizer que o prazer e a felicidade são duas coisas distintas e podem existir uma sem a outra.

            Jesus então promete outro tipo de água: a água que mata a sede para sempre; a água VIVA, que é o espírito de Deus: é aquele que enche os corações, que plenifica nossa existência… Quem se deixa guiar por esse Espírito a PAZ e não precisa de mais nada; não é dependente de coisas e pessoas para ser feliz. A conversão da mulher foi difícil; ela relutou no início/ colocou objeções, mas foi sentido firmeza e foi cedendo até no final tornar-se evangelizadora, proclamando Jesus como Salvador e através dela, muitos abraçavam a fé em Jesus. Depois que descobre Jesus Cristo, abandona o cântaro; já não lhe serve mais porque descobriu outra água e corre a anunciar a todos a sua descoberta e a felicidade.

            O caminho espiritual dessa mulher recorda  percurso que todo cristão percorre na sua caminhada de conversão. Como ela, no início estamos preocupados unicamente com nossos problemas, nossos desejos, nossas ambições, nossas mesquinhezas e por isso nosso coração sempre repleto de tristeza e insatisfação.

            Mas um belo dia acontece um encontro com Cristo, uma experiência forte do amor de Deus (Jesus representado por um amigo, algum sacerdote, algum cristão desconhecido até àquela hora). Jesus desperta curiosidade, e os assuntos vão ficando, mas sérios: religião, Evangelho, vida  cristã, Igreja e a pessoa de Jesus. O despertar da fé nos leva a querer mais e mais… até reconhecermos Jesus como nosso Senhor e Salvador.

            Como a última parte do Evangelho, a mulher convencida da verdade, testemunha Jesus, torna-se missionária. A Samaritana representa etapas da nossa conversão. Ela é o convite após ter descoberto Cristo, outra água, água-viva, possamos testemunhar aos outros a Obra que Deus realizou em nós. E muitos abraçarão a fé e acorrerão a Jesus para saciar a sede de vida, paz e felicidade.

            Por isso e por tudo, louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Padre Silvio Roberto

Pároco

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