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Homilias › 21/09/2015

25º Domingo do Tempo Comum, Ano B

1ª Leitura: Sabedoria 2, 12.17-20
Salmo: 53 (54)
2ª Leitura: Tiago 3, 16-4, 3
Evangelho: Marcos 9, 30-37

Homilia:

Caríssimos de Deus,

As leituras de hoje abordam sobre a melhor escolha que devemos fazer como cristãos. O caminho mais difícil pode ser o melhor, embora exija sacrifícios é na verdade o que completa e realiza o homem.

A 1ª leitura trata de um momento que a famosa cidade de ALEXANDRIA no Egito vive em meio a um grupo de Israelitas, encontrava-se entre eles o autor desse livro de SABEDORIA que eram afrontados por um grupo de descrentes (chamados na Bíblia de ÍMPIOS) e eram MATERIALISTAS que achavam que a religião era uma coisa absurda e ultrapassada; só mesmo as crianças e os ignorantes podiam acreditar nela, não os adultos, inteligentes e cultos. Acrescentavam que a nossa vida é curta, passa como uma sombra, não há como escapar da morte, (até ai tudo bem), mas continuavam propagando: “desfrutemos a vida e gozemos das criaturas durante a nossa juventude…” São materialistas convictos, afirmando: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!”.

Pensando assim acabam por ferir o próximo, com suas ideias e ações perversas, desprezavam os israelitas que viviam entre eles.

Alguns mais assanhados que os outros agrediam, caluniavam e perseguiam os crentes, pois não toleram a vida honesta e exemplar deles. A 1ª leitura de hoje nos relata o que os “ímpios” então decidem fazer: ”Armemos ciladas contra o justo… provemo-lo por ultrajes e torturas… condenemo-lo a uma morte infame.”.
Concluímos que essa situação corresponde a tudo ao que aconteceu com Jesus. Ele foi perseguido, até mesmo por seus irmãos de fé, não porque fosse mau, mas porque era justo, exemplar, denunciava as injustiças e anunciava uma mensagem DESAFIADORA que incomodava os detentores do poder.

São Tiago na 2ª leitura fala dos INSTINTOS DESREGRADOS do homem: o CIÚME e a CONTENDA dos quais procedem à rivalidade, as desordens e as obras más na comunidade. A pior coisa que existe numa comunidade são pessoas invejosas, que metem o bico em tudo, dono das opiniões, com cara de bonzinhos, donos da verdade, se intrometem em qualquer decisão, criando brigas, desordens, fazendo guerra fria, articulam e manipulam as pessoas, colocando uma pessoa contra a outra. fazem isso na surdina, comem quieto, são traiçoeiros e depois fingem que não foram elas. Não conseguem ser verdadeiras, olho no olho. Querem misericórdia, mas não usam de misericórdia. Estão sempre articulando suas maldades com cara de coisa boa. São Tiago aqui fala que a Sabedoria de Deus não é assim. Ao contrário a Sabedoria divina, pura é pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia, cheia de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento.

É preciso saber PEDIR/ ORAR MAIS e se não conseguimos receber o que pedimos é porque pedimos mal (só para esbanjar nossos pedidos nos prazeres).

No Evangelho percebemos que o mesmo complô foi armado para Jesus. Num primeiro momento Jesus tenta desbaratinar a ideia que os Apóstolos tinham de um Messias glorioso, vencedor, poderoso e idêntico aos reis deste mundo. Como no domingo passado, hoje, Jesus continua afirmando, que essa sua última viagem à Jerusalém será de paixão e morte. O assunto é tão sério que Ele repete por 3 vezes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará.”. Essas palavras apagam a ideia equivocada dos Apóstolos; provoca-lhes tremor, surpresa, medo e rejeição. Exatamente por isso não ousam perguntar mais. Percebem que trata-se de um assunto sério e que Jesus não BRINCA, é intransigente, dá respostas duras, não aceita ser contrariado ou aconselhado. E o pior é que a exigência aos seus seguidores é a mesma; isso causa-lhes arrepio. Preferem mudar de assunto: “Vamos falar de coisa melhor”.

“Quem dentre nós será o primeiro?” Jesus percebe o jogo e usa de transparência sem igual: “Tá bom! Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e servo de todos.” Jesus nos evangelhos repete 6 vezes essa frase, para não haver dúvidas.

Em outras palavras: “Quem detém o PODER nada de honras e privilégios… Quem ocupa o primeiro lugar deve abandonar qualquer sonho de poder e grandeza, nem querer alcançar posições de prestígio para manter domínio sobre os outros, para impor-se.”.

A grandeza no Reino de Deus é SERVIR o IRMÃO/ gastar sua vida ao serviço humilde. Para Deus tanto faz construir Catedrais ou descascar batatas na cozinha: ambos têm o mesmo valor.

Para o desfecho do assunto, para que não haja equívoco algum, Jesus chama uma CRIANÇA e coloca-a no meio deles “Quem não aceita o Reino do céu como uma criança, não poderá pertencer a ele.”. Criança aqui é considerada como MODELO.

Gostamos de crianças, mas não damos o valor que merecem, elas não obedecem comumente, por isso Jesus estabelece como centro das suas preocupações e iniciativas: cuidem dos marginalizados, excluídos da sociedade.
Criança é aquela que depende dos outros, não produz nada, só dá gastos, precisa de tudo, apronta mil travessuras. Se não é controlada pelos pais até põe fogo na casa, é aquela que não raciocina como os adultos.

Jesus indica aqui a prioridade dos nossos trabalhos pastorais na Igreja, na Paróquia, nos grupos… “Crianças são carentes, pobres e necessitadas: não tem juízo (bom senso) perfeito, falam bobagens, fazem manhas e desaforos, por vezes são mal educadas/ atrapalham o ambiente/ não trabalham.” É preciso abraça-las.

São necessitadas de amparo, sustento, atenção, paciência, dedicação, compreensão, tolerância, carinho especial e gastar tempo para o seu crescimento…

É assim que agimos com os mais necessitados em nossa Paróquia?
A quem damos o ABRAÇO DA COMUNIDADE?

Louvado seja…

 

Padre Silvio Roberto dos Santos,
Pároco

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