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Homilias › 15/09/2015

24º Domingo do Tempo Comum, Ano B

1ª Leitura: Isaías 50, 5-9
Salmo: 114 (115)
2ª Leitura: Tiago 2, 14-18
Evangelho: Marcos 8, 27-35

Homilia:

Meus irmãos em Cristo,

Se existe algo no mundo de hoje é o repúdio à dor, ao sofrimento e ao sacrifício. Os valores propagados pela MÍDIA são: o TER/ o PODER e o PRAZER. Somos diariamente manipulados pelas propagandas a encontrar a felicidade e o bem estar nos prazeres que o mundo moderno nos oferece.

Na nossa sociedade as pessoas que têm valor, de quem todos falam com admiração, dos bem-sucedidos, poderosos e vitoriosos são os que conseguem impor-se na política, no comércio, no esporte… As pessoas se deixam facilmente “iludir” pelas aparências, se apegam às realidades que passam, por propostas enganadoras e mesquinhas.

E os outros? Os derrotados?

Percebemos que os critérios de Deus são muito diferentes dos nossos. O homem vê a face e as aparências, mas Deus olha o coração. Deus é Pai e como pai tem preferência aos filhos que são humildes, pelos insignificantes, os menores… pois para Ele são esses que mais necessitam de atenção especial. Não é assim com um pai ao ver um filho mais carente? Ele se ocupa mais com Ele sem desmerecer os demais filhos…

Jesus na 1ª leitura revela-nos o rosto de Deus Pai… Ele se torna o SERVO DO SENHOR, uma figura que sofre por amor aos irmãos: trata-se de um homem ferido, humilhado, insultado e derrotado, que Deus não abandonou nas mãos dos inimigos, mas glorificou-o, fazendo com que sua obra se tornasse salvação aos irmão necessitados. Olhando esse texto os cristãos interpretam esse personagem como Jesus de Nazaré: rejeitado pelos seus contemporâneos, hostilizado e derrotado pelos chefes políticos e religiosos do se tempo, foi reconhecido por Deus pelo seu sacrifício aos irmãos, e por isso Deus o tornou verdadeiro vencedor, com a ressurreição.

Continuando na carta de São Tiago fala-nos da FÉ e as OBRAS: Não são os frutos que dão vida à árvore, entretanto, a árvore que não produz frutos é como se estivesse morta. Da mesma forma, a fé que não conduz a produzir obras, é morta, é “BLÁ, BLÁ e BLÁ! São Tiago afirma que a RELIGIÃO PURA e SEM MANCHA consiste em ajudar os órfãos (carentes) e consolar as viúvas em suas tribulações, em respeitar os pobres e praticar obras de misericórdia.

O que adianta afirmar “tenho fé” e despedir o irmão com fome e sem dar o vestir para o que não tem o que vestir. As obras revelam a nossa fé…

Encanta-nos no Evangelho a figura incansável de Jesus: sempre em movimento, não para, de lá pra cá e vise versa, sempre na ativa. Os discípulos desde o começo percebem que estão seguindo um homem EXTRAORDINÁRIO.

Perguntam-se: “Quem é este? Expulsa demônios, realiza milagres, cura, perdoa e até as ondas do mar lhe obedecem.”.

No evangelho de hoje a pergunta agora é de Jesus.

Estando em CESARÉIA DE FELIPE: a cidade que FELIPE, um dos filhos de Herodes, fundou como Capital do seu reino; cidade rica e de habitantes pagãos. Felipe construiu Palácios Magníficos, onde os poderosos passavam férias e onde abrigavam as luxuosas festas… Exatamente nesse cenário, Jesus percebe a falta de Deus e a necessidade de conversão e salvação, dirige aos discípulos duas perguntas: “Quem dizem os homens quem eu sou?”. E a segunda, mais comprometedora: “E vós, quem dizeis quem eu sou?”.

Não é simples curiosidade, mas cumprimento de uma MISSÃO CONFIADA POR DEUS. Isso é o estilo da sua catequese. É uma parada/ é uma REVISÃO… Também nós precisamos parar/ rever/ renovar nossa caminhada.

Respostas são confusas do povo: JOÃO BATISTA voltou… resurgiu dos mortos – por isso o poder de operar milagres. Ou ELIAS que foi arrebatado aos céus numa carruagem de fogo agora- o profeta voltou. Ou um dos profetas como qualquer outro.

NADA A VER: respostas confusas do povo, mas Jesus interessa-se por saber o que seus discípulos entenderam a respeito Dele.

Pedro, como sempre, adianta-se e em nome de todos, mostra que entendeu tudo: “TU ÉS O CRISTO! O Messias – o salvador – o esperado!” Resposta exata! Agradou Jesus e Ele elogia Pedro: “Foi o Pai que te revelou isso”. Mas ainda é um resposta com mentalidade de exagero – sensacionalista: baseada na fama, no sucesso, no triunfo e nos aplausos alcançados.

Agora vem a lição: Jesus começa a ensinar, a corrigir e deixar as coisas claras. Seu destino não será de sucesso e sim de fracasso; será humanamente humilhado e derrotado, para depois vencer o mal.

Isso provoca perplexidade e desencanto nos discípulos… Jesus não retira uma só palavra: “O Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens e o matarão.”. Pedro interfere novamente e em nome de todos: “Qualé! Nunca! Nada a ver!” Pedro repreende: “Vamos mudar de ideia/ corta essa…”.

Jesus muda com Pedro sua linguagem: antes elogio, agora censura: “Vai prá longe Satanás!”. “Toma juízo Pedro, une-te a mim/  toma o caminho certo/ acompanha meus passos/ converte-se/ vem doar a sua vida comigo.”. Depois da repreensão, Jesus aponta 3 exigências aos seus seguidores.

RENEGAR A SI: não pense só em si/ só o que lhe trás vantagens/ não se esqueça dos outros: distribui amor, sem esperar vantagens – como Deus faz.

TOMA A TUA CRUZ: cruz aqui é sinal do AMOR/ da doação/ sacrifício pelos outros. Praticar o bem, mesmo que exija sacrifícios para promover e fazer alguém feliz.

3º SEGUE-ME: em outras palavras, participa da minha escolha/ toma parte do meu projeto/ consagra tua vida por amor ao ser humano, junto comigo. Faça sua parte Comigo…

Concluindo: Hoje ninguém duvida ou nega que Jesus tenha sido um grande personagem, alguém tão perfeito e admirado.

Será, porém, suficiente só esta admiração para considerar-se CRISTÃO? Qual a diferença entre “admirador” e “discípulo”?

Não se esquecer: “SER DISCÍPULO IMPLICA ENVOLVIMENTO”.

Louvado seja…

Padre Silvio Roberto dos Santos,
Pároco

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