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Homilias › 25/08/2015

21º Domingo do Tempo Comum, Ano B

1ª leitura: Josué 24, 1-2.15-18
Salmo: 33 (34)
2ª leitura: Efésios 5, 21-32
Evangelho: João 6, 60-69

Homilia:

201Irmãos queridos,

Estamos reunidos para nos alimentar da PALAVRA e do PÃO que o próprio Jesus nos oferece; alimento de vida nova e eterna.

A 1ª leitura é um convite feito por Josué para a comunidade dos fiéis não abandonar o projeto de Deus, servindo-o serviremos no amor uns aos outros.

Essa 1ª trata da entrada à terra prometida do povo de Israel, em SIQUÉM. Moisés morreu e o líder desse povo é o experiente JOSUÉ, que percebendo a indecisão do povo pela contaminação da religião CANANÉIA, quer saber exatamente a que Deus eles querem servir. Ele exige uma resposta clara, livre, definitiva e verdadeira. Assim fala Josué ao povo: “Se vos desagrada servir ao Senhor Deus, único e verdadeiro, escolhi hoje a quem quereis servir…” Porque quanto a mim “EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR”…

O povo responde sem hesitação: “Longe de nós abandonarmos ao Senhor para servir a outros deuses… queremos continuar com JAVÉ, que nos libertou e protegeu durante os 40 anos da travessia no deserto; temos certeza que não há Deus melhor do que Ele”.

Nós também que passamos pelas dificuldades, perigos, tentações e sofrimentos no deserto da nossa vida. Passamos pelas águas do Batismos, somos chamados a professar a nossa fé, diante da sedução dos deuses de hoje: da ganância, egoísmo, da nossa manipulação, corrupção, da mentira, trapaças, etc… Devemos como Josué, darmos aos nossos irmãos, à família, aos parentes, aos membros da nossa comunidade, no nosso ambiente de trabalho vizinhança, amigos e na sociedade, nosso exemplo da própria decisão radical na escolha do verdadeiro Deus: Deus Amor, Deus Santo, Deus Justo, Deus Poderoso…

A 2ª leitura da Carta de Paulo ao Efésios é dedicada aos problemas que dizem respeito ao casal e à família, já meditamos no domingo passado no encerramento da semana da família.

No Evangelho de hoje, encerramos a reflexão ao capítulo 6 do discurso de Jesus sobre o PÃO DA VIDA. As palavras de Jesus atribuindo a Si: “EU SOU O PÃO DO CÉU… quem como a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna”, despertou perplexidade e assombro nos seus discípulos e judeus: aceitar isso é pretensão INACREDITÁVEL!
Agora não são mais só os judeus que se escandalizam, o que é surpreendente, é que são seus discípulos que se escandalizaram: gente do grupo, gente do meio, gente que o ouviam, gente que o acompanhava.

São os membros da comunidade, como aqueles do tempo de Josué, a fé é vacilante, se escandalizam com as palavras duras, claras e exigentes de Jesus. A eles, Jesus exige a decisão de uma forma resoluta, em que ou em quem eles pretendem acreditar. Jesus não usa meias palavras. Jesus não enrola, é claro e objetivo. A constatação é amarga: eles viram o milagre da multiplicação dos pães, ouviram seu discurso, mas sua proposta é dura. Até entenderam suas palavras, mas unir a própria vida à vida dele, fazer a escolha da doação total de si mesmo, implica um risco muito grande; “Ele dura demais nas suas exigências: crer ou não crer Nele?”

A proposta não é negociada, deve ser aceita ou rejeitada, não é facilitada. Grande parte dos discípulos cai fora, rejeitam, largam Jesus, viram as costas.

Também a nós, hoje, Jesus exige uma decisão: comer só o pão eucarístico sabemos muito bem que é um COMPROMISSO que devemos assumir, concordar com Jesus, unir nossa vida à Dele, identificar a nossa vida à Dele, dar nossa vida como Ele fez, gastar nossa vida em prol dos irmãos…

Quem decidiu fazer só o que lhe agrada, que pensa só em si mesmo, quem não se preocupa com a necessidade dos irmãos, quem não gasta sua vida para promover o irmão necessitado, não poderá aproximar-se tranquilamente da Eucaristia, pois seria um gesto de MENTIRA. Identificar-se com Cristo, pode ser ousadia e deságio diante das incompreensões e rejeição. Jesus não retira nenhuma palavra e nenhuma das suas exigências.
Alguns acham nossa religião muito dura… Alguns abandonam, criticam, viram as costas… Por exemplo: “O JUPAC é muito duro… povo louco…” “A Renovação Carismática são um bando de loucos.”, etc… Também em nossos dias é importante que as nossas comunidades proponham com clareza, sem medo, sem enrolar o Evangelho; sem nada a acrescentar e sem nada a tirar, deixando depois as pessoas decidir. NINGUÉM PODE SER FORÇADO. Devemos excluir o uso de PRESSÃO PSICOLÓGICA, apelações, insinuações, ameaças como fazem algumas pregações por ai. Não podemos perder nossa estima, ou afastamento, ou enfraquecimento da nossa amizade.

O Evangelho de hoje termina com a resposta positiva de u pequeno grupo dos discípulos que aderiu e aceitou Jesus: adesão amorosa à sua proposta, mesmo que inclua muitas dúvidas e perplexidade, hesitação e sacrifício, continuaram fiéis a Jesus.

Pedro falando no plural expressa a fé de todos: “Senhor, a quem iremos nós? Só TU tens palavra de vida eterna”.
Também nós ouvindo esse evangelho experimentamos às vezes, um grande entusiasmo e outras vezes achamos dura demais as propostas do Evangelho.

As vezes rezando, participando nem tudo é como gostaríamos, mas imaginemos sem fé e sem a força que nos vem do Senhor. Com muito esforço continuamos repetindo-lhe o nosso “SIM”, exatamente como Pedro e os Apóstolos.

Talvez só depois de muitos anos de escolhas coerente, dos nossos repetidos “SIM” ao Senhor, voltando os nossos olhares para o passado e contemplando o caminho percorrido, unidos a Ele na fé e na Eucaristia, com alegria poderemos constatar que fomos conduzidos por sua mão ao longo do caminho da nossa vida. A casa dia reconhecendo nossa própria miséria e fraqueza, nos aproximamos daquele que pode nos libertar, curar, salvar, iluminar, fortalecer repetindo: “Sim Senhor… eu e minha casa serviremos ao Senhor… A que iremos Senhor?”
Louvado seja…

Padre Silvio Roberto dos Santos,
Pároco

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