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Homilias › 21/08/2016

20º DOMINGO COMUM – ANO C


1ª Leitura: Jeremias 38,4-6 . 8-10

Salmo: 39 (40)
2ª Leitura: Heb 12, 1-4

Evangelho: Lucas 12, 49-53

Homília

Amados irmãos!

As leituras de hoje fala do quanto custa viver a verdade. A fidelidade a Deus tem um preço: pode provocar perseguições, divisões e conflitos, mas também mostra o caminho para a superação dos conflitos. Ser bom, ser honesto, ser verdadeiro, ser fiel a Deus não é fácil num mundo onde impera o egoísmo, a ganância, o comodismo nos prazeres…

A 1ª leitura refere-se ao ano 586 a.C. quando Jerusalém está cercada pelo exercito de Nabucodonosor, rei da Babilônia, cuja situação é desesperadora: medo insegurança e fome. Os militares querem resistir a qualquer custo, e o rei SEDECIAS não tem a coragem de contrariar os generais do exercito. Nesta hora dramática o profeta Jeremias é o único que tem os pés no chão; cabeça fria, é um homem de paz, tem consciência que é inútil à luta armada, pois provocará a morte de muitos inocentes, por isso sugere a RENDIÇÃO. Os oficiais indignados sugerem ao rei SEDECIAS de eliminar Jeremias alegando que ele desencoraja querendo a perdição do povo. O rei cede à sugestão e autoriza que Jeremias seja encarcerado e jogado numa cisterna de lama até morrer. Isso parece ser o fim para Jeremias abandonado por todos (familiares, amigos, povo e parece que Deus que lhe prometeu proteção o ignorou).

Mas eis que lhe vem inesperadamente a salvação: ABDEMELES, um estrangeiro negro vindo da Etiópia, homem honesto e corajoso, trabalha na corte do rei, apresenta-se a SEDENCIAS e chama-lhe a atenção: “esses homens se comportaram mal, não há mais pão na cidade… O rei ordena a retirada de Jeremias da cisterna.

Todos que são fieis ao Senhor sofrem perseguições, incompreensões, as vezes violência, querem reduzi-los ao silêncio, sofrem difamações, calunias, ameaças, injustiças.

O Senhor, porém, não abandona os enlameados… E coloca em nossas vidas pessoas simples, sinceras, corajosas…

O clima da situação que viviam os cristãos hebreus da 2ª leitura era difícil, tantas perseguições que se sentiam tentados a abandonar a própria fé: tinham sido alvo de abusos, agredidos, despojados de seus bens, encarcerados e corriam o risco do martírio.

Nesse contexto São Paulo escreve-lhes tentando reanima-los a não desanimar, a não fraquejar, e que é uma oportunidade privilegiada que permite demonstrar a Cristo todo o próprio amor, toda própria fidelidade uma vez que Ele, mesmo sendo Deus viveu a mesma situação.

Semelhantes aos hebreus na nossa vida muitas vezes somos vítimas das injustiças, dos abusos, pois encontramos pessoas de corações duros, obsecados pelo mal, com o uso das suas artimanhas, da força nos privam dos bens, do trabalho, da honra, aproveitam do seu poder para prejudicar e somos tentados a desistir, a retribuir com violência, com insultos, com a vingança, com o ódio e com rancor.

Essa carta nos convida a recomeçar nossa luta, não contra os outros, mas contra nós mesmos, identificando-nos com o agir do nosso MESTRE JESUS.

EVANGELHO: As palavras de Jesus não se tratam de desolação, nem pessimismo e nem negativismo… Na verdade é alento, premunição mas de animo e coragem. Estão previstas as grandes perseguições aos primeiros cristãos. As incompreensões que sofreriam na nação, na sociedade, na religião judaica e até mesmo entre os familiares.

Primeiramente Jesus usa uma comparação das QUEIMADAS quando os lavradores provocavam grandes incêndios para queimar o mato, as ervas daninhas, os arbustos, as moitas de espinhos. Parecia que tudo iria ser destruído, porque só ficavam de pé as arvores mais altas e resistentes. Mas chegando a estação das águas, a vida da floresta volta mais viçosa do que antes: brotam folhas e ramos verdes, as frutas silvestres, a relva verde fresca e macia por toda parte. Aquilo que o fogo queima se torna vida verdejante.

Por isso Jesus disse que veio trazer FOGO à Terra. Não se trata de fogo da condenação e aniquilador dos pecadores. Aqui o fogo é a palavra de Cristo que purifica e salva; é o Espírito Santo que se propagaria no mundo como um incêndio relerando toda NÓDOA DO PECADO para renovar infundindo nos corações a capacidade de AMOR para praticar o bem.

Jesus fala “julgais que vim trazer a paz à Terra? Não, digo-vos a SEPARAÇÃO!”

Desconcertantes palavras, quando é chamado de PRÍNCIPE DA PAZ. Na verdade a mensagem de Jesus é um fogo que cria problemas, que agita a vida de muitas pessoas, os perseguidores são PERTUBARDOS PELO Evangelho, por isso reagem com ódio, agressões e violências que desconcertam a paz.

Nas famílias divisões entre pais contra filhos, filhos contra pais, mão contra filha e vice x versa, sogra contra nora e vice x versa. Um pai convertido era perseguido… Era inaceitável por condições culturais e religiosas… Uma nova religião era INADIMICÍVEL com fogo que queima e falta de paz. Pais entregavam filhos e vice e versa. Santa Luzia foi denunciada pelo próprio noivo, fato que a levou ao MARTÍRIO.

A ser radical na vivencia do Evangelho, ser fiel fundamentar a sua vida nos ensinamentos de Cristo hoje também levam as pessoas sofrerem perseguições, chacotas, exclusões, indiferenças daqueles que persistem viver o “homem velho”.

Mas a 2ª leitura nos incentiva a permanecermos firmes em todas as provações, para superarmos com galhardia todas as dificuldades, como atletas numa competição.


Louvado seja…

Pe. Silvio Roberto
Pároco

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