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Homilias › 24/06/2015

12º Domingo do tempo comum, Ano B

jesus3312º Domingo do tempo comum – Ano B – 21/06/2015

1ª LEITURA:  Jó 38, 1.8-11

SALMO:  106 (107)

2ª LEITURA: II Coríntios 5, 14-17

EVANGELHO:  Mc 4, 35-41

HOMILIA

As leituras de hoje (1ª leitura e evangelho), tratam dos ventos contrários, representando, as tempestades e a grande desordem no mundo, que domina e assusta e torna as pessoas vítimas de sofrimentos. Deus e Jesus parecem estar ausentes diante das tempestuosas ondas, mas pedem-nos uma confiança plena no seu amor.

O Evangelho de hoje não é captado de maneira fácil e imediata. É preciso ler, com muita atenção para entender a linguagem SIMBÓLICA, no qual foi redigido o texto para não errar.

Prestem atenção: É noite/ hora de ir pra casa/ o que vão os discípulos fazer do outro lado da margem se lá não tem amigos? Estão na barca com Jesus, a travessia é perigosa/ Jesus está dormindo/ os discípulos, tentam sozinhos desesperadamente, lutar contra as ondas do mar.

Como é possível que Ele durma tranquilamente em meio a tão grande confusão, desespero, o balanço forte do barco/ e com tanta água no pequeno barco? Por fim os discípulos apelam que Jesus os salve. Como pode Jesus repreende-los dizendo que não têm fé se eles pedem socorro, significa que acreditam Nele?

Por que depois que o vento amainou e fez grande bonança, os apóstolos em vez de se alegrarem, são tomados por um grande pavor? O que significa tudo isso?

É preciso retomar ao tempo em que Marcos escreveu esse texto, com um claro convite para a situação em que as primeiras comunidades cristãs estavam vivendo. Prestem atenção aos pormenores: Quem é JESUS?

1- Entardecer de um dia de pregação do Evangelho. Missão cumprida…

2- Jesus solicita ir para outra margem: ou seja, o destino agora é a REGIÃO DO GARASENOS; o território dos PAGÃOS.

3- Era fim do dia: fim da vida terrena de Jesus – Ele solicita outra margem, que quer dizer não só aos judeus mas procura as nações pagãs.

4- Durante a travessia desencadeia-se uma terrível tempestade, impossibilita o prosseguimento da viagem – perigo as pessoas que viajam naquele barco.

5- Outros barcos que acompanham aquele no qual se encontra Jesus com os 12 apóstolos, simbolizam as muitas comunidades nascentes, também envolvidas na perigosa travessia.

6- O MAR é símbolo das forças inimigas de Deus e dos homens. Este monstro terrível arremete com todas as suas forças contra o barco de Jesus e dos discípulos, significa os graves problemas e perseguições que surgiram na Igreja primitiva e sua MISSÃO.

7- O sono de Jesus que dorme tranquilo tem um sentido SIMBÓLICO: a sua MORTE! Jesus não está fisicamente nas comunidades primitivas, daí a sensação de estarem sós. Não é, porém, verdade: O Cristo está sempre com eles como prometeu, ainda que de uma forma diferente, mesmo que pareça estar dormindo.

8- Jesus censura os discípulos como se eles não tivessem fé Nele: a falha é a de ter se lembrado Dele somente quando se encontraram numa situação desesperadora e incontrolável, julgando que Deus não se importa com suas tribulações.

9- Por fim Jesus controla as tempestades e provoca a BONANÇA, significa que Jesus é SENHOR e tem poder contra as forças do mal.

10- Os discípulos mesmo depois da bonança continuam com medo. Não se trata do medo, do susto diante da ameaça e perigo, mas o assombro de quem identificou e reconheceu em Jesus o SENHOR, dotado do poder de dominar todas as potências que ameaçam a vida.

11- O trecho do Evangelho de hoje termina com a profissão de fé: “Quem é este, a quem o vento e o mar obedecem?”.

Em outras palavras, Ele é o prometido de Deus, o Messias, o todo Poderoso, o Salvador e o Senhor!

Tendo decifrado o evangelho vamos transportá-lo à nossa vida.

A experiência dos discípulos das primeiras comunidades não é diferente da nossa. Nas tribulações, nós também temos, às vezes, a sensação de estar sendo tragados. Há momentos durante os quais nos sentimos sós e incapazes de reagir diante da maldade e dos dramas da vida. Isto acontece, por exemplo, quando surgem graves problemas na família (infidelidade do cônjuge, mau comportamento dos filhos, doenças, dificuldades econômicas) desentendimentos, brigas, perseguições, maledicências, calúnias, incompreensões, até mesmo na comunidade. Nessas horas nos perguntamos: Onde está Deus? Por que não intervém? Por que não faz justiça? Está dormindo? Não se importa conosco? Esta ausente? Seu silêncio nos desconcerta e nos incute medo. O que fazer então?

Primeiro não devemos nos surpreender com essas coisas. O Evangelho de hoje nos ensina que na vida todos nós passamos por situações de tribulações dramáticas. Não podemos nos esquecer que Deus está conosco/ mesmo quando percebemos que nossos planos estão fracassando. Nunca suspeitar que Deus não exista ou que está dormindo/ que não se importa conosco/ que deixa o mal desencadear. O equívoco é que nós gostaríamos de ter à disposição um Deus que interviesse para alterar as forças do mal e humilhar quem as pratica.

Mas o nosso Deus quando o mal parece TRIPUDIAR, ele então aparece e se apresenta como vencedor e se serve das próprias forças do mal para realizar o seu projeto de salvação e de AMOR. Por outro lado devemos aprender desse evangelho que não sejamos como aqueles cristãos que só pensam em Deus quando a situação está incontrolável, quando ficam doentes ou quando são atingidos por situações desconfortantes e desagradáveis. Só então rezam, vão a missa, fazem novenas, etc. Com toda devoção nessa hora é que lhe pedem para que venha socorrê-los.

Mesmo servindo ao Senhor é inevitável que encontremos dificuldades e contrariedades em nossa vida. Seguremos nas mãos do Senhor, e confiantemente estejamos seguros que Ele nos sustenta: Depois da tempestade o SOL volta a brilhar…

Louvado seja…

Padre Silvio Roberto dos Santos

                                                                                      Pároco

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